
Responsável por uma epidemia global em 2015 e 2016, o zika vírus, transmitido principalmente pela picada de mosquitos Aedes aegypti, se mostrou extremamente eficaz no tratamento de tumores cerebrais raros e graves, que atingem principalmente crianças. Ironicamente, o mesmo vírus que estava envolvido em inúmeros de nascimentos de crianças com microcefalia, a condição em que o cérebro da criança não se desenvolve da maneira adequada e cresce menos que o normal, foi também o encarregado de fazer tumores desaparecerem por completo em alguns casos.Parece loucura, mas o mesmo vírus que foi responsável pelo nascimento de tantas crianças com microcefalia em 2016, foi também utilizado para eliminar um tumor cerebral, que ocorre maior frequência em crianças. O tratamento foi realizado em camundongos, mas as células tumorais eram humanas.
No experimento, os pesquisadores implantaram no encéfalo de camundongos, células humanas derivadas de 2 tipos de tumores embrionários do Sistema Nervoso Central: o meduloblastoma (se forma no cerebelo e pode se espalhar para outras partes do corpo) e o tumor teratoide rabdoide atípico (raro e agressivo). Ambos são bastante raros e afetam principalmente crianças de até 5 anos. Depois, o zika vírus foi injetado no local de implantação do tumor, e a evolução do caso foi acompanhada. Antes de ser injetado, o vírus foi purificado e produzido de acordo com as práticas exigidas para testes em humanos.

De acordo com os pesquisadores do estudo, que foi desenvolvido no Brasil, o próximo passo é tratar pessoas, mais especificamente crianças mais novas. Os testes serão realizados de início em um pequeno grupo de pessoas, e se o resultado apresentado nos camundongos for replicado aos humanos, o tratamento será ampliado para um número maior de pacientes.
| Fonte: Jornal da USP. | Biologia Total.
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