• Blog | Estado Islâmico, Guerra Civil na Síria e Conflitos no Oriente Médio

    Ei
    Entenda como funciona o grupo extremista mais poderoso dos últimos tempos

    | O Estado Islâmico
    O EI é considerado o grupo extremista islâmico mais poderoso da história. Seu crescimento aproveitou-se da situação de caos no Iraque e na Síria. Na região que ocupou, o EI atua como se fosse um verdadeiro Estado, com rígidas leis inspiradas numa interpretação fundamentalista do islamismo, e métodos cruéis, como execuções por decapitação.

    | A Guerra ao Terror
    Com um vasto território que abrange terras do Iraque e da Síria, um enorme poder de mobilização e uma eficiente capacidade operacional, o Estado Islâmico é considerado a organização mais poderosa e bem sucedida da história. Sua ascensão está diretamente ligada à política de "Guerra ao Terror" implementada pelo ex-presidente norte-americano George W. Bush (2001-2009) como resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001 cometidos pela Al Qaeda, a rede terrorista de Osama Bin Laden.

    A ocupação do Iraque como parte da ofensiva (resposta) dos Estados Unidos contra o terrorismo entre 2003 e 2011, teve como uma das principais consequências o surgimento de um movimento local contra a invasão norte-americana. Nesse contexto, surgiram diversas milícias que contestavam a presença das tropas americanas. Uma delas era a Al Qaeda do Iraque (AQI ou Isil, em inglês), uma filial da rede de Bin Laden. Criada em 2004 essa organização daria origem ao poderoso grupo conhecido como Estado Islâmico.


    | Imposição do Califado
    Nos anos seguintes à criação do AQI, o caos no Iraque e na Síria formaram um terreno propício ao avanço do grupo extremista: enquanto no Iraque há uma sucessão de disputas políticas e conflitos sectários (entre sunitas e xiitas), a Síria vive desde 2011 um confronto entre grupos rebeldes, apoiados pelas potências ocidentais, e o regime do ditador Bashar Al-Assad. Aproveitando o vácuo de poder e segurança, a organização foi ganhando força gradativamente.

    O ano de 2014 representou um grande marco na expansão do grupo. Em junho, o líder da organização Abu Bakr al-Baghdadi proclamou a criação de um califado nos territórios ocupados com o nome de Estado Islâmico e se autodenominou o califa (líder espiritual investido de poder político). O califado é uma referência aos antigos impérios islâmicos surgidos após a morte do profeta Maomé, sendo o império Otomano o último. No entanto, este suposto califado carece de legitimidade mesmo dentro do mundo árabe-muçulmano.


    | Recrutamento de Voluntários
    A força do Estado Islâmico vem principalmente de sua capacidade militar e operacional, além da questão financeita. O número de integrantes é de difícil verificação; nenhuma fonte sabe dizer o total, mas há avaliações que chegam a estimar mais de 100 mil militantes (como descrito no dossiê da revista Super Interessante em 2016, ed. Era do Terror).

    Contudo, o que mais impressiona é a capacidade do EI em atrair voluntários de todas as partes do mundo, inclusive do Ocidente. Muçulmanos que vivem em países da Europa, desiludidos com a segregação social e falta de oportunidades aceitam ingressar aos grupos do EI com a promessa da salvação. Assim como cidadãos oriundos de seus próprios países que se sentem deslocados ou possuem alguma predisposição psicológica ou idealista ao extremismo ou a violência e seguem impulsionados pela intolerância pregada por parte da ideologia religiosa e movidos pelo ódio.

    Utilizando tecnologias de comunicação que vão desde vídeos no YouTube ou Facebook a revistas online, o grupo manipula discurso religioso para incitar o ódio e atingir seus objetivos políticos e doutrinários.


    | Modus Operandi - Ataque
    Como estratégia de guerra, o Estado Islâmico promove execuções, muitas vezes por decapitação, e amputações em massa, às vezes contra comunidades inteiras. Essa imposição pelo terror visa a atemorizar todos aqueles que o grupo classifica como infiéis (minorias étnicas e religiosas e ocidentais), apóstatas (muçulmanos que teriam renegado a religião) e os considerados criminosos em seus domínios (que incluem ser gay, cortar a barba ou usar o relógio no braço errado 一 esquerdo). Como um grupo de orientação sunita, seus ataques atingem principalmente os xiitas.


    $ | A Gestão do Governo
    O Estado Islâmico controla um território de aproximadamente 100 mil km², onde vivem entre 8 a 10 milhões de pessoas. O grupo assumiu o controle de bases militares, bancos, hidrelétricas, campos de petróleo e galpões de alimentos, além de instaurar um governo próprio, com ministérios, cortes islâmicas e aparato de segurança. Atuando, assim, como se fosse um verdadeiro Estado, impondo a sua ordem.

    A venda do petróleo extraído dos territórios que ocupa é uma das principais fontes de financiamento da organização. O contrabando do óleo para a Turquia, onde é vendido a preços bem abaixo do mercado, proporciona uma renda estimada entre 1 a 3 milhões de dólares por dia.

    Outras formas de obtenção de recursos são através das doações de indivíduos e instituições, principalmente da Arábia Saudita, recompensas por estrangeiros sequestrados, o tráfico de objetos arqueológicos e antiguidades históricas, a exploração de outros recursos naturais, como o fosfato, e a cobrança de impostos e taxas das populações submetidas ao seu domínio.


    | Objetivos
    O EI segue a ideologia do Jihadismo Sunita. As raízes doutrinárias do Estado Islâmico, em sua "cruzada conta os infiéis", podem ser encontrados no wahabismo e no salafismo (movimentos sunitas ultraconservadores e radicais difundidos pela Arábia Saudita. Mas a organização não é movida unicamente pelo ódio religioso. Com a instituição do califado, o grupo pretende criar uma nova ordem política no Oriente Médio e um Estado genuinamente islâmico, e uma sociedade livre dos costumes ocidentais.

    A rixa entre os Estados Unidos e o Oriente Médio é bem mais profunda, você verá e poderá entender melhor mais a frente.

    O objetivo imediato dos EUA não é extinguir o EI, mas contê-lo, reduzindo o espaço geográfico sob seu controle. Um extermínio completo do grupo é considerado praticamente impossível sem uma grande intervenção em somo, que é de difícil execução, tanto militar quanto politicamente.



    Guerra civil na siria
    Mais de 250 mil pessoas já morreram nesse conflito que é considerado pela ONU a maior crise humanitária do século e que resultou no fortalecimento do Estado Islâmico

    | A Guerra Civil da Síria
    Em março de 2011 um grupo de crianças em Daraa, ao sul da Síria, é preso pela polícia por pichar frases criticas ao governo. Inconformadas, centenas de pessoas saem às ruas da cidade para protestar contra as restrições à liberdade promovidas pelo governo do ditador Bashar al-Assad.

    Assim como outros países do Oriente Médio, a Síria mergulha na onda de manifestações da Primavera Árabe, movimento no qual milhares de pessoas, sobretudo jovens, foram às ruas apresentando reivindicações muito concretas, como democracia, liberdade de expressão e justiça social. Essa onda de revoltas devastou diversos governos autoritários no mundo islâmico, começando na Tunísia e avançando para o Egito, Irã, Iêmen e Líbia. O movimento encheu de esperança a população árabe num primeiro momento. Em poucos, meses grandes ditadores foram derrubados. Mas passados 5 anos, apenas a Tunísia pode ser considerada uma transição democrática bem sucedida. Já a Síria, desde então, mergulhou numa guerra civil étnica, que envolve muitos interesses externos das potências mundiais, dos países islâmicos e de de Israel.

    Vamos para março, em 2016. 5 anos se passaram, a Síria é uma terra arrasada. O conflito é considerado pela Organização das Nações Unidas a maior crise humanitária deste século. Pelo menos 250 mil pessoas perderam suas vidas. Entre os sobreviventes, 6,5 milhões de pessoas foram obrigadas a mudar-se para outras regiões e outras 4,5 milhões abandonaram a Síria.


    | As Forças no Conflito

    | Governo Sírio e Aliados
    De um lado do conflito está o regime sírio, liderado pelo ditador Bashar al-Assad. Desde os anos 70, a família de Assad comando no país um brutal regime de partido único. Apesar de serem alauítas (uma seita muçulmana do ramo xiita), Assad mantinha um governo laico, que separava a religião do Estado. Mesmo não apoiando o ditador, cristãos, xiitas e até parte da elite sunita preferem ver Assad no poder diante da possibilidade de ter um país tomado pelos extremistas.

    Assad conta, ainda, com o apoio do Irã e do grupo libanês Hezbollah (palestinos xiitas), que sempre teve apoio da Síria para controlar o sul do Líbano e atacar Israel, assim formando um "eixo xiita" no Oriente Médio. O grupo se opõe a Israel e disputa a hegemonia no Oriente Médio com as monarquias sunitas, lideradas pela Arábia Saudita. O principal aliado fora da região é a Rússia, histórica aliada da Síria e que deseja a permanência de Assad para continuar exercendo influência na região, é importante ressaltar que tal parceria é sustentada pela base naval que os russos controlam em Tartus, no litoral sírio.

    | Hezbollah tem um pezinho no Brasil
       Desde o 11 de Setembro, o governo americano vem alertando para a presença de grupos radicais na área da Tríplice Fronteira (entre Brasil, Argentina e Paraguai). Um deles é Hezbollah. Como a fronteira é notoriamente pouco patrulhada, a rota da muamba acaba servindo como financiamento do terror.
       O então líder do partido no Brasil, Farouk Omairi, foi preso em 2006 pela Polícia Federal, por seu envolvimento com o tráfico de drogas, na Operação Camelo. Terrorismo não foi mencionado, até porque não existe lei no Brasil que defina terrorismo.
       Em 2004, a PF revelou outra surpresa: o Hezbollah é aliado do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção responsável pela maior onda de atentados já vista no Brasil. Segundo a PF, os criminosos brasileiros provêm proteção aos libaneses na cadeia, e não interferem em seus negócios com drogas, sendo pagos em armamentos contrabandeados.

    | Grupos Rebeldes
    Umas das primeiras forças a mergulhar na guerra foram os grupos sunitas que lutaram para derrubar a ditadura de Assad. Entre os chamados "rebeldes moderados", que recebem esse nome por não serem adeptos ao radicalismo islâmico, a maior expressão é o Exército Livre da Síria (ELS). A organização conta com o respaldo das potências ocidentais, lideradas pela Europa e EUA. Também recebem apoio da Turquia e da Arábia Saudita. é por isso que a guerra na Síria, além de ser uma disputa interna de poder e conflitos étnicos, reflete a rivalidade entre dois países-chave no Oriente Médio: Irã e Arábia Saudita.

    | Extremistas Islâmicos
    Entre os grupos que querem derrubar Assad, além dos rebeldes moderados, há facções extremistas islâmicas, que estão fragmentadas em diversos grupos. Uma das organizações que mais conquistaram terreno, principalmente nos primeiros anos do conflito, foi a Frente al-Nursa, um braço da rede extremista Al Qaeda na Síria. Posteriormente, a partir de 2013, o grupo terrorista Estado Islâmico aproveitou-se da situação de caos criada pela guerra civil e, vindo do Iraque, avançou avassalador e brutalmente, ocupando metade do território sírio.

    | Curdos
    Há, ainda, uma quarta força envolvida no conflito. Trata-se dos curdos, etnia que habita territórios da Síria, Turquia, Iraque, Irã, Armênia e Azerbaidjão, e que reivindica a criação de um Estado próprio para o seu povo, o Curdistão. Desde o início do conflito na Síria, a Unidade de Defesa Popular (YGP), uma milícia formada para defender as regiões habitadas pelor curdos no norte do país, se fortaleceu. Para o regime de Assad, a YGP tornou-se um ator bastante útil, porque a milícia é uma das principais forças de resistência tanto contra os extremistas do EI, quanto contra os "moderados" do ELS.

    Essa situação embaralha ainda mais o jogo, principalmente em relação às potências, colocando os Estados Unidos e a Turquia, ambos membros da Otan, a aliança militar ocidental, em lados opostos. Isso porque o YGP recebe apoio dos norte-americanos na luta contra o Estado Islâmico, mas a YGP é um dos principais inimigos da Turquia, que teme o fortalecimento dos curdos em seu próprio território.


    | Um Frágil Cessar-Fogo
    Com a resistência de Assad e a prolongação dos conflitos, os atores envolvidos na guerra se empenharam em uma solução diplomática. O Conselho de Segurança da ONU aprovou, em dezembro, uma resolução prevendo negociações no início de 2016 entre o governo sírio e os rebeldes, sem a participação de grupos e indivíduos considerados "terroristas". O processo de paz seria precedido de um cessar-fogo e conduziria, entre outros pontos, a um governo transitório e eleições no prazo de 18 meses. Foi a primeira vez que a Rússia aceitou um documento desse tipo.

    Mas as negociações sequer chegaram a começar como previstas de fato. O aumento dos bombardeios russos na cidade de Aleppo levou à suspensão por 3 semanas das discussões programadas para o começo de fevereiro.

    Apesar das dificuldades, no fim de fevereiro entrou em vigor um cessar fogo na Síria, em um acordo costurado por EUA e Rússia. A pausa nas hostilidades tem como principal objetivo a entrada de ajuda humanitária no país. Continuariam apenas ações contra o Estado Islâmico e Frente al-Nursa. No entanto, poucas horas após o início do cessar-fogo, o governo sírio e os grupos rebeldes já trocavam acusações de que o outro lado havia violado a trégua.


    | O Drama dos Refugiados
    O atendimento às vítimas da guerra e a criação de um corredor para a entrada de ajuda humanitária são ações consideradas prioritárias pelas grandes potências para tentar minimizar o sofrimento da população síria. Nestes 5 anos de violência ininterrupta, quase metade dos habitantes do país abandonaram seus lares, tornando-se deslocados internos ou refugiados em diversos países.

    | Irã x Arábia Saudita
    No tabuleiro complexo que é o Oriente Médio, a guerra na Síria afeta o equilíbrio de poder entre 2 países-chave na região. A Arábia Saudita e o Irã estão em lados opostos no conflito sírio e também alimentam divergências no que se refere à disputa pelo poder regional e à religião muçulmana. Os sauditas são guardiões das tradições sunitas, e seu regime apoia-se numa forma de fundamentalismo considerado inspirador de grupos terroristas como Al Qaeda e Estado Islâmico. O Irã é uma república islâmica também atrelada a fortes tradições conservadora, mas no âmbito dos xiitas. Há também razões econômicas que dão sustento a essa rivalidade entre os sauditas e iranianos: ambos os países estão entre os grandes produtores mundiais de petróleo.



    Historico com o ocidente
    Intervenções de potências ocidentais no Oriente Médio durante a história intensificam as relações e gera tensão

    | Entenda de Forma Simples Esse Ódio Secular
    Parte do ódio dos povos do Oriente Médio pelas potências ocidentais vem da primeira Guerra. Após a I Guerra Mundial, Reino Unido e França estabeleceram fronteiras artificiais no Oriente Médio com o Acordo Sykes-Picot (1915-1916), o que acirrou as disputas internas.

    Outro grande acontecimento que alimentou um sentido antiocidental entre as nações muçulmanas ocorreu logo após a II Guerra Mundial (1939-1945), se trata da criação do Estado de Israel. O novo país ocupou a histórica área onde antes era a Palestina, e expulsou milhares de árabes palestinos. O objetivo era criar um Estado para os judeus. O apoio internacional à causa aumentou, após a segunda Guerra, ao ser revelado o genocídio de cerca de 6 milhões de judeus nos campos de concentração nazistas. A ONU aprovou a divisão da Palestina em 2 Estados, um para os judeus, com 53% do território, e outro para os árabes, com 47%, que rejeitaram completamente o plano.

    Houve ainda a Revolução Islâmica no Irã em 1979. Durantes anos os Estados Unidos mantiveram uma aliança com o Irã, sustentando um governo corrupto e pouco interessado nas situações sociais do país. Em troca, as empresas norte-americanas mantinham vantajosos contratos, principalmente para explorar os recursos energéticos iranianos. Em 1978, a crise econômica e a ampla corrupção desencadearam protestos contra o xá Mohamed Reza Pahlevi. Então, em janeiro de 79, Reza Pahlevi fugiu do país e obteve asilo político nos EUA. Tal revolução explicitou a rejeição à submissão ocidental e marcou a instauração de um regime que se contrapões fortemente aos EUA.

    Outro momento decisivo nas relações entre o Oriente Médio e o Ocidente se deve à Guerra do Golfo, que marca a primeira intervenção militar norte-americana no Oriente Médio após a queda do Muro de Berlim, período em que os EUA consolidaram sua hegemonia mundial. O estopim do conflito foi a anexação do Kuweit pelo Iraque, em 1990. Mesmo tendo apoiado o Iraque na guerra contra o Irã (1980-1988), os norte-americanos decidiram acionar suas máquinas de guerra contra o ditador iraquiano Saddam Hussein. Além de restaurar a soberania do Kuweit, o objetivo era evitar que o fortalecimento de um país-chave no Oriente Médio como o Iraque alterasse o equilíbrio de poder na região. Implicitamente, a intervenção ainda mandava um claro recado sobre a capacidade norte-americana de sustentar sua hegemonia no Oriente Médio. Mas não parou por aí... ações da década seguinte ainda seriam cruciais para culminar em toda a situação que reveste o Oriente Médio hoje.


    | Ocupação do Iraque
    Na década seguinte, o Iraque voltaria a ser alvo das forças militares norte-americanas, numa ação cujos efeitos estão no cerne da atual crise no Oriente Médio. Em 2002, os Estados Unidos e o Reino Unido acusaram Saddam Hussein de acumular armas de destruição em massa. O governo do presidente norte-americano George W. Bush começou os preparativos para uma guerra contra o Iraque que era apresentada também como parte da ofensiva contra o terrorismo, além de uma reação aos atentados cometidos pela Al Qaeda, nos EUA, em 11 de setembro de 2001.

    EUA e Reino Unido decidiram atacar o Iraque, em março de 2003, mesmo sem o respaldo da ONU. Derrotaram rapidamente os iranianos, conquistaram a capital, Bagdá, em 9 de abril, e instalaram um governo de ocupação. Meses depois, Saddam Hussein foi capturado, e acabou sendo executado em 2006. Posteriormente ficou comprovado que o ditador iraquiano não possuía armas de destruição em massa.

    As forças de ocupação dos EUA tentaram impor no Iraque uma nova ordem política, favorecendo a maioria xiita em detrimento dos sunitas (nos quais Saddam apoiava-se para governar). Os protestos contra o domínio estrangeiro logo deram origem a uma insurgência contra as forças ocidentais. Atentados e ataques tornaram-se frequentes, convulsionando o país.

    Com a posse de Barack Obama na presidência dos EUA, em 2009, os norte-americanos começaram a retirar as tropas do Iraque gradualmente, concluindo a operação em dezembro de 2011. Além de deixar cerca de 110 mil civis mortos, essa longa permanência em solo iraquiano desestabilizou completamente o país com relação às desavenças políticas. Aliada a esse fator, a retirada das tropas norte-americanas foi sucedida por um vácuo de poder que veio a favorecer a criação do Estado Islâmico.

    Voltando a 2006 e ao "posteriormente ficou comprovado que o ditador iraquiano não possuía armas de destruição em massa", algo parecido está ocorrendo em abril de 2018, onde se discute a veracidade de um suposto ataque com armas químicas na Síria, o qual discute-se ter sido uma encenação das potências ocidentais como desculpa para uma resposta ofensiva.

    Geopolitia religiao e conflitos entre sunitas e xiitas no oriente medio e no islamismo

    | Sunitas x Xiitas, Geopolítica e Religião
    Os muçulmanos dividem-se em uma pluralidade de correntes, mas duas grandes vertentes são as principais: sunitas (cerca de 85%) e os xiitas (15%). Durante séculos as rivalidades de assentaram. e as duas alas do islamismo conviveram em relativa paz. Em boa medida as divergências mais recentes tem a ver com a Revolução Iraniana, vitoriosa em 1979, que levou os xiitas ao poder. A ascensão política do Irã foi vista como uma ameaça à hegemonia regional da Arábia Saudita, guardiã das tradições sunitas na região.

    Mais do que um grande conflito sectário (religioso), o atual antagonismo entre xiitas e sunitas está mais ligado a disputas geopolíticas. Na verdade, a rivalidade é alimentada menos pela imposição de uma vertente religiosa sobre a outra; trata-se mais de uma disputa por poder local e regional. Nessa estratégia, os governantes acabam ateando o ódio religioso para atingir seus objetivos políticos 一 seja o controle do poder local, a expansão da influência regional ou a distribuição das riquezas nacionais para o seu grupo de apoio. É o que tem acontecido em países como Síria, Iraque, Líbano, Barein e Iêmen. A interferência estrangeira, especialmente das potências ocidentais, também exerce papel decisivo neste cenário.

    Estas são questões de suma importância, não só para o vestibular, mas para a compreensão do panorama mundial como um todo. Como acontecimentos do século passado acabam refletindo na atualidade. Esse é um importante assunto que envolve questões humanitários, geopolítica, relações internacionais, história, geografia, atualidade, diplomacia, e aborda questões de intolerância e cultura. Pontos presentes em provas, vestibulares e na sociedade como um todo. O engajamento é essencial para a vida.
    | Mantenha-se atualizado sobre a situação da Síria e o Oriente Médio.

    | Dica de Filme: #ChicagoGirl (2013). Uma universitária síria que mora em Chicago, nos EUA, tenta ajudar a oposição que luta contra o ditador Bashar al-Assad com ajuda das redes sociais. O longa associa-se à já mencionada Primavera Árabe.

    Geopolitia religiao e conflitos entre sunitas e xiitas no oriente medio e no islamismo

    | A História por trás dos Atentados do 11 de Setembro


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