• Blog | Preconceito Linguístico e Variação Linguística

    Preconceito linguistico redacao enem
    | Preconceito Linguístico: atitude de julgamento em relação à diversidade linguística. É não respeitas o falar alheio, o sotaque e os dialetos.
     | A Língua
    Em um país como o Brasil, de dimensões continentais, a língua é um elemento de integração, ela garante a unidade nacional. Isso, no entanto, não impede que as manifestações linguísticas do português, ou de outras línguas faladas em outros países, sofra algumas variações em virtude de uma série de aspectos que vão além da extensão territorial. Tais diferenças são conhecidas como variantes linguísticas, ou registros linguísticos.

    Para o teórico russo Mikail Bakhtin, a língua tem vida. Isso quer dizer que ela é um elemento vivo tal qual os seres humanos e está sujeita aos processos normais pelos quais passam todos os seres vivos: há palavras que nascem, palavras que se modificam (tanto no que querem dizer como na forma da escrita) e palavras que morrem.

    A evolução dos aspectos comunicativos e linguísticos ocorre tal qual o aspecto que vai ao encontro nas teorias evolutivas de Darwin e Lamark, referente à adaptação. As palavras mudam, fonética, sintática e até gramaticalmente graças aos fatores externos, seja regionalidade, tempo, nicho ou contexto situacional. Isso reafirma a vitalidade linguística e suas constantes mudanças, assim, como afirmara o filósofo pré-socrático Heráclito, nada é permanente, salvo a mudança.

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    | Preconceito Linguístico
    A língua é uma ferramenta de comunicação entre os indivíduos. Mas ao mesmo tempo em que ela é um mecanismo de integração, ela também acaba sendo instrumento de preconceito, uma vez que existe uma variante que é colocada em prestígio em detrimento de outras que passam a ser estigmatizadas.

    O preconceito linguístico surge da ideia de que existe apenas uma língua correta, aquela encontrada gramaticalizada e dicionarizada, ensinada e perpetuada pela escola.

    Segundo o autor mineiro da obra "Preconceito Linguístico", Marcos Bagno, o preconceito linguístico não está no que se fala, mas em quem fala o quê, tornando-se decorrente de um preconceito social, ou seja, contra a fala de determinadas classes sociais consideradas incultas de certas regiões. Esse preconceito nada mais é do que um profundo preconceito social e individual do falante.

    O autor aponta, ainda, a escola como um dos vetores da discriminação vigente. De acordo com Bagno, o ensino perpetua a gramática normativa tradicional dando uma percepção restrita da língua como se ela fosse o único uso correto. Deixando transparecer de modo pejorativo a língua falada. Ele ainda ressalta que a norma culta deve, de fato, ser estudada, mas as variantes devem ser entendidas e aceitas na sociedade.

    Essa intolerância às variações linguísticas e contextos situacionais de uso da língua acentua ainda mais a desigualdade social no país. O julgamento depreciativo contra determinada variedade linguística atinge, geralmente, grupos de menor prestígio social. Os indivíduos que sofrem discriminação linguística tendem a desenvolver problemas de sociabilidade, devido a má representação midiática que perpetua esteriótipos exacerbados de determinadas regiões vistas com menor notoriedade.

    Não se deve, de forma alguma, olhar com preconceito o registo coloquial da língua (linguagem utilizada em situações de informalidade, que não exigem observância dos princípios gramaticais). O bom escritor, o bom falante, o bom cultor da língua portuguesa será aquele que souber adequar o seu discuso à situação em que ele se impõe. Como afirma Evanildo Bechara, devemos aprender a ser "poliglotas em nossa própria língua". No fundo, se o local onde se escreve não exige o cumprimento de normas formais, o que importa na linguagem, de fato, é sua função principal: comunicar.

    51kartbahnl. sy445 O longa musical "Minha Bela Dama", apresenta a jovem florista Eliza Doolittle e retrata humoristicamente o status que se adquire através da maneira de falar e se expressar, trazendo a reflexão sobre o tabu do preconceito linguístico. Na trama a jovem não utiliza a língua inglesa padrão para se comunicar, mas sim um dialeto chamado cockney.

    O desejo de Eliza em falar do “modo correto”, surge pouco depois de ser humilhada publicamente, ao escutar uma conversa entre o culto professor de fonética e perito em linguística, Henry Higgins e seu amigo linguista. A personagem opta pelo aprendizado da linguagem padrão, buscando melhorias de vida e uma nova colocação no meio social.

    O filme demonstra positiva e negativamente como a normatização da língua influencia o ser humano, bem como atribui a ela o poder de ressignificação da essência do indivíduo e agregação de novos valores. Minha Bela Dama traz questionamentos sobre o papel da comunicação, sobre o modo como o receptor entende a mensagem enviada pelo emissor.


    Se o domínio da gramática normativa e da norma culta somados à uma boa dicção fossem sinônimos de ascensão social, os professores ocupariam o topo da pirâmide.


    Preconceito linguístico é: exigir que todos falem em Time New Roman... quando cada um tem fontes diferentes.


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    Marlon Soares - UFM. Tecnologia do Blogger.

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